..... Aconteceu .....  

 

Força Aérea Brasileira

 Defesanet 21 Março 2008
FAB 19 Março 2008

FAB

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C-115 Búfalo cumpre sua última missão

COMAR VII

Depois de 40 anos de atuação no Brasil, dos quais 38 na Amazônia, o último C-115 Buffalo em operação no País realizou sua última missão entre os dias 12 e 14 de março. A aeronave com matrícula 2351 partiu de Manaus (AM) em direção a Santa Rosa do Purus (AC), fronteira do Brasil com o Peru, transportando combustível e suprimento para o Pelotão de Fronteira do Exército Brasileiro.

A história da aeronave confunde-se com a integração e desenvolvimento da Amazônia. Com número reduzido de pistas capazes de receber aviões de

grande porte e incalculáveis distâncias impossíveis de serem percorridas por terra ou mesmo de barco, a floresta amazônica ainda é hoje dependente do transporte aéreo.

De 1970 a 1985, o C-115 foi o único avião da FAB sediado na Base Aérea de Manaus a operar na Amazônia Ocidental. Capaz de pousar até mesmo em um campo de futebol, o Buffalo trabalhou no reabastecimento de destacamentos do Exército, Marinha e Aeronáutica, provimento de aldeias indígenas e pequenos povoados, salvamentos médicos, missões de misericórdia e diversas outras atividades que só podiam ser executadas em função da sua capacidade de operar mesmo em pistas curtas e pouco preparadas.

Do transporte de urnas eleitorais a carteiras escolares e livros didáticos para escolas do interior, o Buffalo ajudou a escrever a história de cidadania dos povos da floresta. Foi essa aeronave que transportou antenas retransmissoras de TV para São Gabriel da Cachoeira em 1979, carregou o material para a construção de muitos pelotões de fronteira, como os de São Joaquim, Cucuí, Yauaretê, todos na região da Cabeça do Cachorro. Se hoje o C-98 Caravan consegue pousar em Maturacá ou Querari para salvar a vida de pessoas acidentadas e sem acesso à saúde especializada, é porque o C-115 levou para lá o asfalto e tratores para a construção das pistas.

Pela sua capacidade de pouso e transporte, o C-115 participou e facilitou os resgates em acidentes, como foi o caso do vôo RG-254, da Varig, em 1989, e a recente tragédia do vôo 1907, da Gol.

SUBSTITUIÇÃO

Nenhuma comunidade do interior ficará desassistida com a desativação do C- 115. A FAB, atenta e voltada para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental, já substituiu aquela aeronave pelo moderno C-105A Amazonas, que tem o dobro de capacidade de

transporte de carga e de passageiros, maior velocidade e autonomia. Em 2007, a nova aeronave voou 2.700 horas no atendimento aos pelotões de fronteira, a 52 localidades assistidas pelo Correio Aéreo Nacional e também nas missões de apoio a órgãos governamentais.

No dia 31 de março, pilotos de todo o Brasil se reunirão na Base Aérea de Manaus para se despedir oficialmente daquele que trabalhou pela soberania nacional e deixou nos céus da região rastros de integração e melhores condições de vida para as populações ribeirinhas e indígenas.
 


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