..... Aconteceu .....  


Turma de heróis brasileiros

 

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Militares salvaram mais de dois mil bolivianos da fúria das enchentes. Fim da missão foi adiado

João Ricardo Gonçalves

Rio - Prevista para durar 45 dias, a missão humanitária de militares brasileiros na Bolívia está sendo tão importante para o povo de Evo Morales, que deve entrar no seu terceiro mês. Até agora, homens de três turmas da Aeronáutica e do Exército salvaram mais de duas mil pessoas ilhadas por enchentes, e passaram a ser chamados de heróis pela população.

Os militares brasileiros chegaram ao país vizinho dia 28 de janeiro, num momento crítico: as enchentes que começaram no fim do ano passado nos departamentos (estados) de Santa Cruz de La Sierra e Beni deixaram pelo menos 73 mortos. Segundo a ONU, 400 mil pessoas foram atingidas.

“Em alguns lugares, não era possível identificar mais leitos de rios. Nunca vi algo assim. Não tem dinheiro que pague a sensação de ajudar alguém afetado por essa situação”, conta o coronel aviador carioca Gilvan Chaves Coelho, 47 anos, que chefiou o Centro de Operações Correntes por 47 dias.


ÁGUA PELA CINTURA

O trabalho dos brasileiros consistia em distribuir ajuda humanitária (170 toneladas de alimentos e remédios, entre outros itens, foram transportadas) e resgatar bolivianos, muitas vezes com a água pela cintura. Tudo era repetido várias vezes. Num mesmo dia, 400 pessoas chegaram a ser levadas em helicópteros.

Muitas vezes, a ação ganhava contornos dramáticos. Militares desciam em guinchos conectados aos helicópteros e eram obrigados a nadar para fazer salvamentos. A estratégia foi usada, por exemplo, para salvar duas grávidas e três crianças que sofreram naufrágio quando estavam num barco improvisado em fevereiro.

“Certa vez, o local onde as vítimas estavam era tão isolado que tive que descer de guincho num chiqueiro para fazer o resgate. O desespero era grande: quando aterrissávamos o helicóptero, as pessoas invadiam a aeronave”, conta o sargento da Aeronáutica Edvaldo Batista Salomão, 45 anos. Pelo visto, a fama de heróis que os militares brasileiros ganharam na Bolívia não foi à toa.


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