O trabalho dos
brasileiros consistia em distribuir ajuda humanitária (170
toneladas de alimentos e remédios, entre outros itens, foram
transportadas) e resgatar bolivianos, muitas vezes com a água
pela cintura. Tudo era repetido várias vezes. Num mesmo dia, 400
pessoas chegaram a ser levadas em helicópteros.
Muitas vezes, a
ação ganhava contornos dramáticos. Militares desciam em guinchos
conectados aos helicópteros e eram obrigados a nadar para fazer
salvamentos. A estratégia foi usada, por exemplo, para salvar
duas grávidas e três crianças que sofreram naufrágio quando
estavam num barco improvisado em fevereiro.
“Certa vez, o
local onde as vítimas estavam era tão isolado que tive que
descer de guincho num chiqueiro para fazer o resgate. O
desespero era grande: quando aterrissávamos o helicóptero, as
pessoas invadiam a aeronave”, conta o sargento da Aeronáutica
Edvaldo Batista Salomão, 45 anos. Pelo visto, a fama de heróis
que os militares brasileiros ganharam na Bolívia não foi à toa.