De:
Mario Pereira Administrador Monumento Votivo Militar
Brasileiro em Pistoia
Enviada em: terça-feira, 15 de maio de 2007 08:14
Para: Carlos Xavier
Assunto: info sobe meu pai |
prezados,
Agradeço, antes de tudo, pela Vossa passagem aqui, e o
interesse junto a carinho que estão demonstrando para
com o Monumento.
Realmente este Marco que os brasileiros deixaram em solo
italiana chega bem alem dos feitos históricos que
aconteceram ao longo da 2 guerra mundial.
aqui em baixo seguem algumas noticias sobre meu pai:
Miguel Pereira
Nasceu em Pulador, perto de Passo Fundo em 09/06/1918
-filiação: Durvalina dos Santos - Antonio Joaquim
Pereira
-6º entre 10 irmãos - 6 mulheres 4 homens,
-chegou na Itália com o segundo escalão em 6 de outubro
1944
-depois do treino em São Rossore (quinta Real) foi
deslocado, junto à própria Cia em Porretta Terme (Q.G.
Avançado), entrando em combate a 10 de novembro, em
Marano, até dia 21
- em 22 chegou em Pistoia, onde instalou a estação radio
que comunicava com o Brasil na frente da casa da minha
mãe
-foram assim se conhecendo e todos os períodos que o pai
passou fora do front, ficava em Pistoia, na casa dos
meus avós, junto com a mãe
-na mesma rua moramos- numa casa construída em 1959 -
até o fim dos anos 80
- em 2 de maio 1945 às 12:30 quando em serviço no Q.G.
do General Zenobio da Costa em Alexandria, recebeu a
mensagem de "cessar fogo no Norte da Itália e na
Áustria".
logo depois entregou a dita mensagem nas mãos do General
que mandou dar 21 tiros de canhão, mesmo sem ler a
mensagem, pois tinha entendeu que a guerra acabou sendo
que o Miguel tinha cortado o próprio cavanhaque.
Isto aconteceu pois, alguns meses antes, o General
Zenobio tinha ordenado no Miguel de cortar o cavanhaque,
e, obtendo uma obstinada recusa argumentada pelo mesmo
Sargento que só tiraria o dito cavanhaque quando
acabasse a guerra.
O General disse que então só queria revê-lo quando
tivesse tirado o cavanhaque, e o Miguel nunca mais
entregou uma mensagem no General, sempre enviando alguém
no próprio lugar, para não ter de cortar a barba, e não
desagradar o General.
-depois do fim da guerra o pai regressou ao Brasil junto
à própria tropa, prometendo casar e trazer ela para o
próprio Pais
-casaram-se por procuração, pois meus avós não deixariam
de forma nenhuma a própria filha com 18 anos partir sem
ser casa.
-logo antes da mãe embarcar no "Navio das Esposas" (um
navio que levou para o Brasil cerca de 50 mulheres,
todas tendo namorado militares ao longo dos meses da
guerra) o pai foi designado para cuidar do Cemitério de
Pistóia
-em maio de 1947 o Cemitério foi entregue aos cuidados
do Miguel
- nos anos sucessivos recuperou 8 entre os 23
extraviados
-em 1960 quando os despojos foram transladados para o
aterro no Rio de Janeiro meu pai foi outra vez para o
Brasil, querendo trazer a família toda para lá, mas como
o General Mascarenhas de Moraes queria deixar um marco
no lugar onde tinham repousados os soldados brasileiro
ele foi novamente designado para tomar conta da área até
ser construído o Monumento, e ficar depois de guardião e
auxilio administrativo
- em 1966 foram concluídas as obras de construção e foi
inaugurado o Monumento Militar Brasileiro em 7 de junho,
à presença das Autoridades da Itália e do Brasil
-em 1967 foi recuperado mais um combatente brasileiro em
Montese(MO), mas como não tem identidade cerca, ele
ficou aqui representando todos os 465 tombados em solo
italiano
-trabalhou a vida inteira para recuperar todos os
contatos com as Prefeituras atingidas pela FEB, e boa
parte das homenagens que hoje em dia o Exercito
brasileiro recebe, são fruto do trabalho dele
- administrou o Monumento até o fim, sendo que desde
1997 eu passei a ajuda-lo de forma oficial, como
auxiliar da Embaixada do Brasil em Roma
-faleceu em 3 de fevereiro de 2003
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Acho
que fiz um resumo muito concentrado, porem sem deixar
fora nada dos que foram os feitos que marcaram a vida do
meu pai.
Agradeço mais uma vez para a Vossa atenção que nós
prestigia.
Fico a disposição para qualquer esclarecimento e
aprofundamento.
Mario Pereira
MVMB Pt |
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"Mário, o
remetente é italiano e não domina perfeitamente o idioma
português." |
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