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Caros
Amigos,
Sempre que ouço um "cantar de pneus", seguido de vozes
femininas, corro p'ra janela ou p'ra varanda, pois
infalivelmente e diariamente, trata-se de uma colisão de
veículos.
Com a propalada riqueza nacional:PIB de 6% ;facilidades
na compra de veículos, moradias, celulares,
motocicletas, e, especialmente na minha Fortaleza, com a
aquisição de "patinetes" para os policiais desfilarem,ao
custo de R$ de R$ 28.000,00 cada, os meus conterrâneos
estão passando por uma sensação de riqueza.Apesar de o
sertão ainda sobreviver às custas de carros-pipa
conduzidos pelo Exército, de o tráfego em Fortaleza ser
congestionado por carroças tracionadas por pais de
famílias catadores de lixo, e bicicletas roubadas
conduzidas por assaltantes, minha esquina é
privilegiada!
Diariamente, há um encontro dessa riqueza nacional.
Um veículo, importado, dirigido por uma madame ao
celular, cruza a preferencial e colide com outro
importado conduzido por outra senhora ao celular.Descem
de seus veículos, aproximam-se uma da outra e após uns
dez minutos desfazem a ligação. Fazem xingamentos
recíprocos, retomam o celular e ligam para os
maridos.Com suas chegadas, mais uma hora de discussão
serena, quando resolvem chamar a perícia.Mais outra
hora, com a chegada dos peritos, desenhos no chão com
spray, o catador de lixo com sua carroça no meio dos
dois veículos, o assaltante com sua bicicleta no chão,
para chegarem à conclusão de que não houve nada a não
ser a bronca dos maridos.
O mais importante desta estória cotidiana, foi que, em
nenhum momento, as motoristas causadoras do incidente e
o consequente congestionamento do trânsito, tiraram seus
celulares dos ouvidos.
O inusitado desta estória é que está acontecendo e eu
tansmitindo ao vivo.
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