..... DATA FESTIVA .....

  






 


DIA DO EXÉRCITO
 

Deste 19 de abril, quando nos perfilamos diante da Bandeira Nacional para celebrar os 360 anos de criação do Exército Brasileiro, concito todos a voltarem-se para o passado, para dele extrair lições, destacar exemplos e buscar motivação; a manterem dedicação integral às ações do presente, onde estamos situados, e a terem uma visão do futuro.

Voltando o olhar para o passado, vemos, nos Montes Guararapes, brasileiros das três raças, unidos já pelo sentimento de Pátria, expulsando o invasor e criando as bases de um Exército genuinamente brasileiro. A seguir,vemos a atuação do “povo em armas” na consolidação da Independência, na pacificação das províncias, na conquista da unidade nacional, na proclamação da República e na obtenção da coesão interna. Vemos o forjar da Força Terrestre, a dura têmpera conquistada a ferro e fogo nas guerras do Prata e na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Mais recentemente, vemos um Exército solidário na reconstrução da paz e da harmonia entre os povos, em todos os continentes.

No presente, enfrentando dificuldades enormes, que desafiam nossa perseverança e testam nossa vocação, temos mantido o Exército coeso e disciplinado, adestrado para cumprir sua missão constitucional, graças, sobretudo, à criatividade, à gestão austera e à ação de comando dos chefes militares em todos os níveis. Essa nossa gente corajosa, acostumada a enfrentar adversidades e a superar desafios, está empenhada no aparelhamento de um Exército suficientemente dissuasor, à altura da estrutura político-estratégica do Brasil, e sempre harmonizado com os valores históricos, culturais e espirituais que conformam a alma do nosso povo. Essa nossa gente austera – quer na solidão das nossas fronteiras, superando o cansaço, o desconforto, as endemias e a ausência da família; quer nas nossas outras centenas de guarnições articuladas por todo o território nacional – hasteia diariamente a Bandeira Nacional reafirmando, sem temor, que “esta terra tem dono”.

Sobre o futuro recaem nossas esperanças. Hoje, os assuntos de defesa já fazem parte da agenda nacional. Identificamos a clara determinação do Sr. Presidente da República, juntamente com o Sr. Ministro da Defesa, de dotar as Forças Armadas com material situado na vanguarda tecnológica, a ser produzido pela indústria nacional de defesa. Com isso, pretendemos modernizar e transformar o Exército, que disporá de uma estrutura modular baseada em capacidades para atuar em diferentes cenários de conflitos, e de tropas de elevada mobilidade, flexibilidade e versatilidade, aptas a deslocarem-se prontamente de um extremo a outro do País. Assim, atingiremos o desejado estado de permanente prontidão operacional, de forma a atender com audácia a todas as Hipóteses de Emprego.

Mais importante que tudo é, cada vez mais, valorizar nossos servidores civis e militaresmais valioso patrimônio de que dispomos –, para que possam exercer com toda pujança sua verdadeira vocação.

Soldados de Caxias – gente fardada e sem farda, da ativa e da reserva, civis e militares, de todas as origens e de todos os quadrantes do nosso território –, comemoremos com entusiasmo e fé o aniversário do nosso Exército! Devemos nos orgulhar da confiança que a Nação nos credita; de ser “braço forte e mão amiga”; de espalhar brasilidade; de cultuar valores democráticos; de enfrentar adversidades; e de colocar a Pátria acima de qualquer ambição pessoal e dar rosto à soberania brasileira.

A sentinela da Pátria não dorme. Alertas, participemos ativamente do desenvolvimento nacional, adestrando-nos para o combate e cultuando ostensivamente o “amor febril pelo Brasil”. Assim, “se a Pátria amada for um dia ultrajada”, estaremos prontos para “lutar sem temor”. Parabéns, Exército Brasileiro, pelo seu dia!

General-de-Exército ENZO MARTINS PERI
Comandante do Exército

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Guararapes - Berço da Nacionalidade e do Exército Brasileiro


19 de Abril de 1648 - 1ª Batalha dos Guararapes

O militar

"Senhor, umas casas existem no vosso reino onde homens vivem em comum , comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque de corneta, se levantam para obedecer. De noite, a outro toque de corneta, se deitam, obedecendo. Da vontade fizeram renúncia, como da vida. Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmos são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar. Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente os conhece por militares...

Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que comem; como se os cobres do pré pudessem pagar a liberdade e a vida. Publicistas de vista curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão. Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço de sua sujeição eles compram a liberdade para todos e a defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isso, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o fizessem. Porque, por definição, o homem da guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha , à sua esquerda vai a coragem, e à sua direita a disciplina."

(Trecho de carta escrita por Moniz Barreto ao rei de Portugal.)
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