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Voltando o olhar para o passado, vemos, nos Montes
Guararapes, brasileiros das três raças, unidos já pelo
sentimento de Pátria, expulsando o invasor e criando as
bases de um Exército genuinamente brasileiro. A
seguir,vemos a atuação do “povo em armas” na consolidação
da Independência, na pacificação das províncias,
na conquista da unidade nacional, na proclamação da
República e na obtenção da coesão interna. Vemos o
forjar da Força Terrestre, a dura têmpera conquistada a ferro e
fogo nas guerras do Prata e na Campanha da Itália,
durante a Segunda Guerra Mundial. Mais recentemente, vemos um
Exército solidário na reconstrução da paz e da harmonia
entre os povos, em todos os continentes.
No presente, enfrentando dificuldades enormes, que
desafiam nossa perseverança e testam nossa vocação,
temos mantido o Exército coeso e disciplinado,
adestrado para cumprir sua missão constitucional, graças,
sobretudo, à criatividade, à gestão austera e à ação de
comando dos chefes militares em todos os níveis. Essa
nossa gente corajosa, acostumada a enfrentar adversidades e
a superar desafios, está empenhada no aparelhamento de um
Exército suficientemente dissuasor, à altura da estrutura
político-estratégica do Brasil, e sempre harmonizado com os
valores históricos, culturais e espirituais que conformam a
alma do nosso povo. Essa nossa gente austera – quer na
solidão das nossas fronteiras, superando o cansaço, o
desconforto, as endemias e a ausência da família; quer nas
nossas outras centenas de guarnições articuladas por todo o
território nacional – hasteia diariamente a Bandeira Nacional
reafirmando, sem temor, que “esta terra tem dono”.
Sobre o futuro recaem nossas esperanças. Hoje, os
assuntos de defesa já fazem parte da agenda nacional.
Identificamos a clara determinação do Sr. Presidente da
República, juntamente com o Sr. Ministro da Defesa, de dotar as
Forças Armadas com material situado na vanguarda tecnológica, a
ser produzido pela indústria nacional de defesa. Com isso,
pretendemos modernizar e transformar o Exército, que
disporá de uma estrutura modular baseada em
capacidades para atuar em diferentes cenários de
conflitos, e de tropas de elevada mobilidade,
flexibilidade e versatilidade, aptas a deslocarem-se
prontamente de um extremo a outro do País. Assim, atingiremos o
desejado estado de permanente prontidão operacional, de
forma a atender com audácia a todas as Hipóteses de
Emprego.
Mais importante que tudo é, cada vez mais, valorizar nossos
servidores civis e militares – mais valioso patrimônio de
que dispomos –, para que possam exercer com toda pujança sua
verdadeira vocação.
Soldados de Caxias – gente fardada e sem farda, da ativa e da
reserva, civis e militares, de todas as origens e de
todos os quadrantes do nosso território –, comemoremos com
entusiasmo e fé o aniversário do nosso Exército! Devemos nos
orgulhar da confiança que a Nação nos credita; de ser “braço
forte e mão amiga”; de espalhar brasilidade; de cultuar
valores democráticos; de enfrentar adversidades; e de colocar a
Pátria acima de qualquer ambição pessoal e dar rosto à
soberania brasileira.
A
sentinela da Pátria não dorme. Alertas,
participemos ativamente do desenvolvimento nacional,
adestrando-nos para o combate e cultuando ostensivamente
o “amor febril pelo Brasil”. Assim, “se a Pátria
amada for um dia ultrajada”, estaremos prontos para
“lutar sem temor”. Parabéns, Exército Brasileiro,
pelo seu dia!
General-de-Exército ENZO MARTINS PERI
Comandante do Exército
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O militar
"Senhor, umas casas
existem no vosso reino onde homens vivem em comum , comendo do
mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque
de corneta, se levantam para obedecer. De noite, a outro toque
de corneta, se deitam, obedecendo. Da vontade fizeram
renúncia, como da vida. Seu nome é sacrifício. Por
ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados
mesmos são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza de suas
ações é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar.
Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais
cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente os
conhece por militares...
Corações mesquinhos
lançam-lhes em rosto o pão que comem; como se os cobres do pré
pudessem pagar a liberdade e a vida. Publicistas
de vista curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa
houvesse mais cara que a servidão. Eles, porém, calados,
continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma.
Pelo preço de sua sujeição eles compram a liberdade para todos e
a defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força
das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isso, algum
dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o
fizessem. Porque, por definição, o homem da guerra é nobre. E
quando ele se põe em marcha , à sua esquerda vai a coragem, e à
sua direita a disciplina."
(Trecho de carta
escrita por Moniz Barreto ao rei de Portugal.)
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