Hoje, para caminhar na
Beira-Mar, resolvi vestir um disfarce, vez que sempre sou
interrompido por amigos e conhecidos em busca de conversa e
de opiniões do"Coronel".
Coloquei um boné para esconder a
careca, óculos escuros para proteger a catarata, camisa
longa e folgada para despistar a protuberante barriga na
frente e camuflar a pistola 9 mm atrás, caso alguém se meta
a besta.
Tornozeleiras e joelheiras para
compensar a velhice das articulações. Enfim, um verdadeiro
espantalho do asfalto. Para os amigos, funcionou. Ninguém me
deu um mísero bom dia. Estava tão camuflado que o soldado
bombeiro que mede minha pressão, há dez anos, nem olhou para
mim.
Com a sensação de ter atingido o
objetivo e ao deparar-me com um vendedor de "quintilharias",
ele foi enfático: Amigo, non te gustas? Respondí: Pero si,
como non? Aproximei-me e disse: Que é isso cara? Sou cabra
da peste do nosso nordeste!
Ele respondeu: Voci mi cê me
adiscurpe, mas vestido desse jeito e com um andar delicado,
pensei que fosse gringo. É mole?