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Estilo de potência
Exército brasileiro vence competição militar com 20 países das
Américas, em Goiânia, e se firma como realidade para atuar em
conflitos regionais
Isabel Fleck
Por seis dias, os sete militares mais bem preparados das forças
especiais de 21 países das Américas deram, em Goiânia, uma
pequena demonstração do que cada Exército é capaz. Com
diferentes táticas, armas e equipamentos, eles passaram pelas
mesmas provas e enfrentaram os mesmos obstáculos. A equipe
brasileira foi a que melhor combinou capacidade física com
habilidades militares, e conquistou o primeiro lugar. Mais do
que a vitória, no entanto, o Brasil comemora a projeção do seu
Exército, depois dos bons resultados na competição, realizada
pela primeira vez no país.
Para o governo brasileiro, vencer Exércitos como os dos Estados
Unidos e da própria Colômbia (1)— campeã invicta nas últimas
três competições e que tem sido patrocinada nos últimos nove
anos por Washington — representa muito mais do que ter uma
equipe bem preparada. Mostra à grande potência militar do
continente que o Brasil tem propriedade não só para atuar, mas
também para liderar esforços conjuntos em situações de conflito
na região.
Do lado norte-americano, o interesse foi confirmado pela grande
presença militar do país, representado pelo Comandante de
Operações Especiais dos EUA, Eric Olson, e por uma delegação de
quase 60 pessoas. “Esse tipo de encontro nos permite dividir
ideias de como melhor trabalhar juntos, em um nível estratégico.
E nós queremos trabalhar com outros países, queremos dialogar e
aprender com cada um”, confirmou o porta-voz do Comando Sul do
Exército norte-americano, Armando Hernandez.
Mas se o encontro militar serviu como “vitrine” para as forças
especiais brasileiras, também foi útil para ajudar a integrar os
exércitos de países da região que fazem parte do Conselho de
Defesa Sul-Americano, idealizado pelo Brasil. Das 12 nações que
compõem a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), oito
participaram da competição — com exceção de Venezuela, Bolívia,
Guiana e Suriname. “Essa troca de experiências que ocorre aqui é
muito importante, pois favorece o aumento da confiança entre os
exércitos. No caso de uma operação conjugada (no futuro), as
equipes já se conhecem, o que facilita muito o trabalho”,
observou o porta-voz da Brigada de Operações Especiais, Luís
Gustavo Stumpf.
O capitão da equipe chilena, tenente Raul Saez, concorda que o
encontro ajuda a criar um clima de confiança na “base”. “O
melhor de tudo é a interação com outras equipes, outras
culturas. E dessa interação acaba surgindo um grupo de amigos
que, ano a ano, se encontra nessa competição”, disse Saez. Já o
líder do time da Nicarágua, capitão Rodolfo González, destaca a
possibilidade de reavaliar técnicas militares como um dos pontos
positivos do encontro. “Do ponto de vista tático, a competição é
muito importante, porque se aprendem técnicas de outro Exército
que podem ser aplicadas ao nosso”, revelou.
TÁTICAS
Enquanto os 147 militares que formavam as 21 equipes suavam a
farda nas provas de resistência e de habilidades técnicas,
comandantes das forças especiais de cada país participavam de um
seminário sobre táticas antiterror e metodologias usadas em
ambientes de conflito, como o Iraque e o Haiti. Para os
participantes, a oportunidade é de aprender com os acertos dos
outros países, que são revelados a portas fechadas. “Aqui,
tiramos muitos ensinamentos que vão nos ajudar a melhorar nossa
doutrina e a preparar nosso soldado”, admite o general Ricardo
de Matos Cunha, 1º subchefe do Comando de Operações Terrestres.
O militar afirma que a experiência brasileira no Haiti também
vem sendo acompanhada com atenção pelos outros países. “Não é de
hoje que o Brasil tem se projetado internacionalmente,
principalmente na parte militar. As nossas atuações em operações
de paz, desde a década de 1950, quando fomos para o Canal de
Suez, e depois na América Central, na África e, principalmente,
no Haiti, nos garantem uma posição de destaque no concerto dos
exércitos internacionais”, destacou.
(1) PLANO COLÔMBIA
Desde 2000, os EUA ajudam o combater o narcotráfico e os grupos
armados por meio do Plano Colômbia. Nesse período, Washington já
investiu US$ 5 bilhões no Exército do país sul-americano, se
tornando o maior destino de ajuda militar dos EUA fora do
Oriente Médio. O Plano Colômbia foi decisivo para capacitar as
Forças Armadas colombianas: os efetivos aumentaram 50%, o setor
de inteligência se refinou e a aquisição de modernos
helicópteros e aviões, inclusive Supertucanos brasileiros, deu
mobilidade às tropas. Os EUA tiveram papel decisivo nos recentes
resgates de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc).
Sem moleza
Como são algumas das provas realizadas pelas forças especiais
Assalto combinado
A equipe é dividida em dois grupos. Logo após o primeiro “varrer
o local” com um tiro, o outro simula a entrada em uma casa
dominada por sequestradores ou terroristas. São avaliadas a
agilidade e a pontaria dos militares, que devem ter atenção com
os reféns.
Pista de obstáculos
O tempo é o principal adversário nessa pista onde os militares
precisam escalar paredões, rastejar sobre a areia, sair de um
fosso de mais de 2m de profundidade e atravessar trechos com
cordas.
Natação
De farda, os militares caem na água para nadar 300m com
obstáculos.
Marcha orientada
Os participantes levam cerca de três horas para completar a
prova. A meta é marchar 20km carregando uma mochila de 15kg e
armamento.
Evento aquático
Uma das provas mais difíceis, já que intercala trechos
terrestres e aquáticos. Os militares devem carregar o bote no
qual vão remar por toda a extensão de um lago, carregar um
ferido, nadar com uma mochila de 20kg e atirar em alvos a
diferentes distâncias.
Tiro de campo
A equipe de caçadores tem 10 cartuchos para acertar cinco alvos
pré-posicionados a distâncias desconhecidas
Fonte: Correio Braziliense de 26.06.09.
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