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O clube estava cheio, no
pátio fogueira acessa, pau-de-sebo e a quadrilha “Luiz Gonzaga”
bandeirinhas ornamentando e sanfoneiro acompanhado da zabumba,
pandeiro e triângulo tocando. Não houve necessidade de emburacar,
a festa era e foi nossa; não apareceu nenhum fuleiro, ninguém
armou barraco nem bafafá; o pessoal frouxo escafedeu e o
candidato assanhado estava engabelando a cabrita, entonce não
aconteceu nenhuma engrisilha e o jabaculê foi mais fácil; o
pessoal não é luxento nem gosta de mangar; formamos vários
mangotes; marmotas ou caipiras saíram falando que a festa foi
massa. O mão de vaca conseguiu uma artimanha, falou que está com
xanha e fizemos um arrilique. De fora nem um zumbido. O velhaco
saiu troncho e a vadia levou-o para o xilindró enquanto ele
xurumingava falando que era urucubaca. Certamente o delegado
disse: Teje preso! O quiprocó foi porque ele bebeu um quartim
atrás do outro e colocou o pisante na mesa, depois queria obrar
no meio do salão. A boneca alertou que o zambeta estava melado e
não havia mata-fome nem gororoba que resolvesse, que o safado
chegou com a gota-serena porque perdeu dinheiro no carteado.
Arribou para não perder mais; na mesa tinha um cagado que
acertava no bambo, era desenxavido e não empombava com ninguém.
Outro integrante da mesa era um boiola abilolado e cabreiro que
aceitava ser afanado pelo dono da banca, sem amarrar- o- bode.
Duas bruacas participavam do carteado, uma era a velha
alcoviteira que aprovava o amasso e na filha, casada com um
meganha, canso de saber que ela não prestava. A reboculosa
aproveitava para ver as bilolas do amostrado; a outra ficava o
tempo todo com a mão no cangote do dono da banca, estavam em
coxambrança. A alcoviteira, quando começou o arranca –rabo e viu
o berrante saiu deixando seus cacarecos e falando que ia
cabuetar. Ôxe que arraial bexiga, quase nem molhei o beiço. Dei
uma bicada supimpa na da roça e observei que a mulher de cabelo
pixaim, sem corpete, que ficou no caritó era uma catráia. O
forró pé de serra foi arretado e somente um tico de pessoas,
incluindo uma mulher prenha, não mexia os cambitos, embora o
rojão não fosse para muitos. Pensei que ia dar bode quando o
Queixão foi para cima do pamonha, a mocreia puxou a peixeira e
todos correram. Vou chegar. Amanhã tenho que abrir meu vuco-vuco
e tentar receber de alguns xexeiros. Minha zureia está quente,
sou xoxo, mas arrumo minhas trepeças sozinho. Amanhã de noite
quero tirar um sarro com minha sirigaita - xodó sem estar com
suvaqueira, bastam as rabicholas doendo. Não vou comer mais nada
hoje; comi carne de sol, queijo de coalho, puba, bolo de
macaxeira, creme de milho, batata doce com melado, milho cozido
e milho assado na brasa e bebi um caldo de cana moída na hora.
Estou ababacado, nunca vi comerem e beberem tanto. O padre Luiz
estava atarantado, sempre tinha um azucrinando; até o Severino
bode-moco catingoso, depois de dançar um baião, um xote, um
xaxado, ou um forró, vinha bicar o quentão e comer do creme de
milho preparado pela bundeira que toma conta da casa paroquial.
Vou arregar com algum biruta que não esteja muito baleado porque
moro no cafundó. |