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O Intendente-1962
11- 31/12/08



UMA NOTA MUITO TRISTE

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A Tuducax formou mais de 400 Oficiais de Carreira para o Exército, em 1962.
 
No Pantheon, homenageamos a memória de sessenta, que foram chamados a cumprir suas novas missões, em plano muito superior. Eles alcançaram os mais altos postos e hoje, igualados hierarquicamente, abrem as trilhas que um dia, missão cumprida, todos iremos percorrer, com humildade.

Somos, atualmente, cerca de 350 Tuducaxes que seguimos no cumprimento de nossas missões iniciais.

Dessas três centenas e meia, o site www.aman62.com, próximo de completar seus primeiros cinco anos de vida, recebeu cooperação de natureza intelectual, cultural, artística, jornalística, de não mais do que trinta companheiros. Nem todos afeitos à natureza de que tratavam as colaborações. Mas com enorme boa vontade, sentido de solidariedade, de coesão, de amizade, enfim, de compreensão da importância que um instrumento como este site representa para gerar mais um motivo de bem viver, na fase em que vivemos e nas que vêm pela frente. Precisamos que um número crescente de tuducaxes participe com suas colaborações - textos, estórias de Cadete, desenhos, fotos da época, mensagens - para que o site, em seu 5o. aniversário, aprimore-se, ainda mais, sem caracterizar o fato que todos desejamos evitar, de marcá-lo com a "assinatura" de poucos. Precisamos que você envie sua colaboração intelectual, artística, cultural, jornalística.
Este fato leva a Coordenação do Site a reconhecer o espírito de solidariedade desses menos de trinta companheiros cujas contribuições enriqueceram, desde o período histórico do site, então www.tuducax.net, de 2002 a 2004, quando passou a www.aman62.com, com feição profissional.

Um desses companheiros, dos que mais colaboraram e colaboram, associa a esse valor, o pendor para seu novo ofício de escriba, e ainda de quebra, o de pastor - não no sentido religioso do termo - mas pastor de pastoreio, pastor de ovelhas, especialmente as "desgarradas do rebanho".
É um companheiro muito especial. Com sua irrefreável tendência para o melhor jornalismo - o jornalismo solidário - , todos os meses edita dois noticiosos de turma. Um é o " Jornaleco da EPF ", de interesse direto para os companheiros de sua Turma de ingresso na EPF, a de 1956, denominada "TC Porto Barbosa", com os quais mantém, até hoje, fortes vínculos de amizade. O outro é " O Intendente 1962", destinado a integrar e manter informados os Intendentes de sua turma da AMAN, a turma deste site, " Turma Duque de Caxias", a Tuducax.
A esta altura, quem acompanha as colunas de nosso site, já sabe que estamos nos referindo ao "Frei Chiquinho", apelido carinhoso de EPF, que varou o tempo, até ser enriquecido há pouco, com o complemento de um sub-apelido: " Pastor de Ovelhas Desgarradas": João Bosco Camurça.
Por muito tempo, Camurça divulgou semanalmente seus "pasquins" - como ele os chama. Ao nosso ver, injustamente, porque mesmo no melhor sentido que encontramos para a palavra, "pasquim" é inspirado no personagem Pasquino - típico da comédia dellarte italiana, que é mentiroso, insolente e glutão. O nome foi adotado para referir-se a publicações, especialmente jornais, considerados atrevidos, sarcásticos e fantasiosos, e os periódicos de Camurça não o são, embora ricos em espírito e em informação e embora glutão, bem, isto já é de uma crônica à parte.

Mas seria pedir - lhe demais manter tal periodicidade. As limitações de ordem particular, ligados à saúde de sua esposa, a saudosa e querida Thelma, que todos nós, seus amigos tuducax acompanhamos nos limites da amizade e do apoio, somadas aos afazeres inúmeros, forçaram- no a suspender os periódicos.
Por pouco tempo. "Resmungos" e apelos dos amigos levaram-no ao reinício do batente. Logo, ali estava, novamente em seu papel voluntário – e agora, indispensável- de elo agregador dos amigos de ambas as turmas. A interpretação de fazê-lo como terapia ocupacional e o fato de ser um farejador nato da localização de "ovelhas desgarradas" animaram Frei Chiquinho a mergulhar de vez no trabalho, como quando criança, no açude generoso.
Os dois pequenos periódicos, agora em edições mensais, voltaram a ser editados. Com o seu novo desafio de descobrir endereços de companheiros com os quais a Coordenação Nacional não lograva mais contato, seu tempo se ocupou, totalmente.
Em seu "pastoreio", o "Pastor" Camurça se utiliza dos mais variados meios de comunicação, e além, da Embratel, correios, solicitações de ajuda dos amigo dos quais possuía o e mail, estamos certos que chegará ao teatro de mamulengo, qualquer coisa que atraia a atenção dos “desgarrados”. O que nos compete? Ajudá-lo, informar por seu e-mail “camurça368@hotmail.com” endereços que conheçamos, independentemente de saber se ele os têm ou não. Como nos bons tempos dos álbuns de figurinha, quando a gente aceitava qualquer uma, para depois ver se tinha ou não. Porque, verdade seja dita, passados já cinco anos , ainda há “figurinha difícil” neste álbum.
E assim, lá do seu cantinho, na "Aratacolândia", na Terra do Marechal Castello Branco, de José de Alencar e Borjão, com muita dedicação e esforço, foi montando a sua agenda de endereços e divulgando nos seus veículos de comunicação.
Aplaudido e incentivado pelos amigos, resolveu ampliar suas pesquisas e registros, enriquecendo-os com os nomes das esposas, datas dos aniversários, telefones e e-mails.
Com todos os afazeres, Camurça encontrou em sua vocação, o entusiasmo para se consagrar como autor de dois livros: "O Aluno Itinerante" e "A Nossa Vida de Cadete". Além deles, criou um original almanaque, o "Almanaque do Camurça", versando sobre histórias da caserna, experiências de vida em família, pitadas de imaginação e mais o tempero gostoso de algumas raras aventuras do personagem "Cap Almeida", seu velho conhecido que tantas e boas recordações lhe traz e deliciam o leitor.
Tanto “ O Aluno Itinerante” quanto " A Nossa Vida de Cadete" merecem ser lidos não somente por seus companheiros das duas Turmas a que se referem.
Em especial, “ A Nossa Vida de Cadete” é um livro de excelência para o nosso universo. Um mundo que vai se despedindo a cada ocorrência deletéria que assistimos, a cada mudança de comportamento social. Neste cenário, Camurça nos presenteia com a concretude de nosso próprio tempo, de nossa memória rediviva, de nossos sonhos por se realizar, por nossas esperanças a alcançar. Ele fala de nosso futuro que já foi, não do passado apenas. Ele fala dos costumes que vivemos, das alegrias e das tristezas. Ele relata, de forma solta e elegante, como os nordestinos sabem falar, dos tempos de uma AMAN – Tuducax.
E, então, lendo, não o “livro do Camurça”, mas o livro de todos nós, muitos já confessaram que bate uma vontade danada de contar, aos filhos e aos netos, coisas que nunca contamos, ou porque não quiséssemos influenciá-los na escolha da profissão, ou porque não queiramos ficar falando de “nosso tempo”, no temperamento sóbrio de militares.
E, então, nos vem a certeza de que os filhos de nossa geração, homens e mulheres ali pela casa dos quarenta, a exemplo dos que já os receberam de presente de seus pais, lêem com satisfação e guardam- nos com orgulho. E, certamente, um dia, seu neto mais curioso, irá à biblioteca de seu filho – pai dele- e apanhará o livro, escondido de todos, e vai conhecer como era a vida do vovô.
E perceberá que a AMAN é um “lugar maneiro”. Maneiro no amplo sentido que dão à palavra: “legal”, “dez”, quer dizer, muito bom. E o livro de Camurça terá atingido seus mais profundos objetivos.

A Coordenação do Site

 
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Jornaleco da EPF
Nº 8 - 30Set/2008

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