|
Em
1972, éramos o secretário do 1º Regimento de Cavalaria
de Guardas, Dragões da Independência, e tínhamos como
dever funcional manter em dia o registro histórico da
Unidade.
O comandante na época, coronel Ernani Jorge Corrêa,
determinou que fosse feito um resumo da história do
Regimento para ser distribuído à tropa como meio
auxiliar de instrução.
O trabalho foi grandemente facilitado por existir no
Regimento o chamado Livro Histórico. Este livro começou
a ser escrito no ano de 1908, quando das comemorações do
centenário da criação da mais antiga e tradicional
Unidade do Exército Brasileiro.
Comandava o Regimento o coronel Luiz Antônio Cardoso e a
comissão encarregada dos trabalhos foi formada pelo
major Joaquim Ignácio Baptista Cardoso, fiscal do
Regimento,
(cargo que hoje corresponde ao de subcomandante) e os 1º
tenentes Leopoldo Itacoatiara de Senna, José Bonifácio
de Souza Pinto e Dorval Ormenville de Abreu. Esta
comissão fez o levantamento histórico dos primeiros cem
anos de vida do Regimento e, após um mês de trabalhos,
registrou as primeiras vinte e quatro folhas do livro.
Atualmente, estando já no segundo volume, acham - se os
dois livros em exposição no Salão Nobre do quartel , em
Brasília. Sendo carga da Secretaria, são guardados com
muito carinho, tornando-se difícil o manuseio, por serem
totalmente manuscritos.
Ao fazer o resumo dos Livros Históricos, nosso gosto
particular por História levou-nos a acrescentar outros
fatos que julgávamos importantes para facilidade de
entendimento por parte dos leitores. O resumo acabou
ficando um pouco extenso.
No ano de 1972 comemorávamos o sesquicentenário da nossa
independência. O coronel Corrêa mostrou nosso trabalho a
seu irmão, general de exército Antônio Jorge Corrêa,
ex- integrante dos Dragões da Independência e que era na
época o Presidente Executivo da Comissão Central
encarregada das comemorações do Sesquicentenário da
Independência. O coronel passou também nosso resumo ao
professor Pedro Calmon, presidente do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro e Presidente da
Subcomissão de Assuntos Culturais da referida Comissão.
Tivemos, então, uma entrevista no Rio de Janeiro com o
professor Calmon, que além de anotar algumas corrigendas,
ainda nos honrou com o seu prefácio.
O nosso resumo acabou tornando - se livro, com a
interveniência da Biblioteca do Exército, através do seu
diretor na época, coronel Waldir da Costa Goldolphin,
sendo editado como o volume 12 da coleção Biblioteca do
Sesquicentenário da Independência. Foram 3.000
exemplares distribuídos gratuitamente pela Comissão
Executiva Central e pelo 1º Regimento de Cavalaria de
Guardas. Foi lançado oficialmente no dia 13 de maio de
1973, quando o Regimento festejava seu 165º aniversário.
No ano 2000, comemoramos os quinhentos anos de
descobrimento do Brasil. O general Ernani Jorge Corrêa,
agora na reserva, mas mantendo ainda forte ligação com o
Regimento, como assíduo freqüentador do Centro Hípico,
procurou–nos, sugerindo uma atualização do livro .
No dia 16 de março de 2000 reunimo -nos no gabinete do
comandante do Regimento: o general Corrêa, o coronel
Pedro Theophilo Gaspar de Oliveira, comandante dos
Dragões, o coronel Paulo Dartanhan Marques de Amorim,
diretor do Arquivo Histórico do Exército, também ex-
integrante dos Dragões e este autor. Ficou acertado que
seria feita a atualização.
Ao fim de alguns meses de trabalho e pesquisas,
principalmente no Arquivo Histórico do Exército,
chegamos a um novo livro, e não a uma simples
atualização. Mas em História isso é normal. Uma pesquisa
leva a outra e um fato pequeno pode trazer uma série de
novas interpretações.
Este livro é, portanto, uma evolução do anterior e uma
fonte de consulta para que, no futuro, outros possam
aperfeiçoar a história dos Dragões da Independência.
Nas transcrições foi mantida a ortografia da época,
assim como a denominação e numeração dos diferentes
Corpos de Tropa e outras organizações do Exército.
Ao terminar, quero deixar registrado meus agradecimentos
à minha mulher Regina, que no
primeiro livro me ajudou bastante, copiando meus
escritos para que o 3º sargento Emanuel
da Costa Azevedo datilografasse. Agora coube à Regina o
trabalho de digitação.
|