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Caros
amigos,
Recebí mensagem do TC Ademar falando sobre os moleques
do Brasil.
Vocês sabem que sou um inveterado saudosista, não por
achar que o passado é presente, pelo contrário, é
ausente.Mas como é bom relembrar sem reviver!
Soltar arraia no Ceará, papagaio no RJ, pipa em Pelotas
era tudo a mesma coisa.Os aratacas estavam com a razão
pela semelhança do brinquedo com o peixe.Os outros, eram
frutos da baitolagem sulista.Quantos domingos fiquei no
quintal de minha casa a passar cerol na linha da
arraia.Quantas "Gilletes" roubei de meu santo pai para
pendurar no rabo da arraia.Quantos kilos de goma tirei
do armário para fazer grude e colar o papel de seda para
fazer arraia.
Bola de meia? uma daquelas meias antigas de tafetá, da
minha mãe, enchia de pano velho e fabricava minha
bola.Cadê minha meia ?Calado, pensava: Já era!
Jogar buraco não era baralho.Três pequenas covas, onde
procurava-se acertar com a cabsulinha ou bola de gude,
ou bila, ou esferas de vidro para os gaúchos.
Jogar triângulo, um pedaço de arame ponteagudo para
acertar no interior de um triângulo riscado na areia
molhada.Chamava-se de jogos de inverno.É molhe?
Quando chovia, uma caixa de fósforo a navegar na água da
coxia.
Mas, a mais horrível era o chamado pau-de-merda.De um
lado do cabo de vassoura, no escuro da noite, o líder
dos moleques segurava uma ponta e mandava esta inocente
criança segurar a outra suja de cocô.Como explicar a
minha mãe?
Hoje, esse tipo sadio de diversão é desconhecido pelas
crianças.Hoje o bacana é funkar,
ficar,fumar,cheirar,dar,roubar,matar,traficar,relaxar e
gozar.
Cel Paulo Cesar Romero Castelo Branco, saudoso de uma
infância sadia.
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