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Caros
amigos,
Quando criança, na década dos 40, o preparo físico dos
rapazes era o uso do método " Charles Atlas" e das
meninas, a ginástica "Balalaika", um misto de dança e
beleza.Naquela época, o poste era de ferro, tipo uma
escada, para permitir aos operários o conserto das
linhas de bonde.
Na década seguinte, anos 50, a educação física evoluiu
para a chamada " Calistênica", exercitada por homens e
mulheres e, o nosso poste, pra uma torre de concreto que
servia de latrina de cachorro e urinol de bêbados
noturnos.
Com o advento do fisicultor norte-americano, Keneth
Cooper, nos anos 70, a moda passou a ser:" Vou fazer
Cooper".Nessa época, surgiram os apartamentos, nossos
cães passaram a desprezar os postes e preferir gramados
e areias.A polícia começou a aparecer e bêbados e
seresteiros noturnos passaram a esconder-se nos muros da
vizinhança para satisfazer suas necessidades.O poste
começou a entrar em decadência e esquecimento.
Com o recente advento da malhação , academias,
carboidratos, guaranás e "Alongamentos", o nosso poste
renasceu glorioso".Deixou de ser uma escada de ferro ou
torre de concreto, urinol ou latrina, e passou a ser um
tubo de aço que não serve de esconderijo.
Hoje, na Beira-Mar, fiquei a observar e pensar naqueles
postes.Passam a noite trabalhando, iluminando cachorros
e bêbados, e, quando nasce o sol, passo a ter
inveja!Lindas mulheres, perfumadas, saradas, começam o
ritual do alongamento,diante dos postes, antes da
caminhada.Puxam,empurram,abraçam, levantam as pernas,
ora uma, ora outra, mostrando suas intimidades virgens
e, às vezes não, e os cachorros e bêbados a passarem ao
lado sem notar.O poste, coitado, não pode manifestar-se,
até por ser um servidor municipal.
Meus amigos, quero ser um poste.
Paulo Cesar Romero
Castelo Branco,Cel EB, afastado das decisôes, mas não
das idéias.Dionísio Torres- Fort- CE |